sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Eles passam rápido, sem me ver

Em 2002 eu não dava aulas, não fazia mestrado, não tinha um filho, não trabalhava com corais. Eu era apenas uma cantora que viajava bastante pela estrada afora. Em julho desse ano fui convidada pelo Lineu Soares para fazer uma turnê com o Novo Tom pelo nordeste. De ônibus!
Foi muito bacana reviver os tempos de viagens em grupo e isso abriu uma porta para, alguns anos depois, aceitar o convite de cantar com o grupo provisoriamente, e, mais tarde, de forma constante.
Num dos dias da viagem, vi uma cena que me fez pensar em como seria a vida de pessoas que vivem às margens de estradas, só testemunhando as viagens alheias, sem nunca sair de seu lugar...
* * *

Eles passam rápido, sem me ver

Alheios à mim, às árvores, aos montes,

Ao capim que se inclina com o impulso da velocidade.

Minha vida é aqui, é vê-los passar

Enquanto eu, no acostamento,

Vou seguindo minhas distancias tão curtas.

Eles não... eles seguem pra longe!

São longos percursos

Por quilômetros que nunca andei.

Destinos que não conheço,

Pressa que não entendo.

O tempo não é como nós:

Não anda nem mais rápido

Nem mais devagar

Só continua seu passo contínuo

Sem parar nunca

Sem se apressar nunca

Até desaparecer

E nós com ele...

5/julho/02

1 comentários:

Deiglisson Santana - O Boka disse...

Fala sério: cantora excepcional; mãe coruja; professora fora de série...
Agora, poetiza...
Brincadeira! É muito talento!!! (rsrsrs)
Parabéns, Regina.