domingo, 23 de março de 2008

Bolívia II

Sobrevoar a cordilheira é quase como voar baixo. O avião sobe à altitude necessária, mas a terra sobe junto, e as montanhas parecem querer toca-lo. Assim foi o vôo entre La Paz e Lima, Peru, olhando a terra de perto, com sua coloração verde e marrom. Ao longe, os onipresentes picos nevados andinos. Estava me deliciando com esta vista quando, de repente, ela foi interrompida pelo que pareceu uma enorme turmalina. Era o lago Titicaca. Não tenho a pretensão de juntar as palavras certas para descrever o que eu vi e senti. Aquela jóia verde azulada refletindo a luz do sol, o contraste com as outras cores... palavras são insuficientes. O visual tira o fôlego. A certa altura, um rio barrento que vem serpenteando em curvas fechadas pelo vale que está no topo da cordilheira, deságua no lago e, naquele ponto, a água parece uma aquarela em muitos tons. Pensei na genialidade do Artista que criou tudo aquilo, e lembrei que Ele quer morar dentro de mim. Isso é ainda mais incrível do que tudo que eu vi.

sábado, 22 de março de 2008

La Paz, Bolívia

A Bolívia é a melhor surpresa dos últimos tempos. A primeira coisa que impressiona é que os bolivianos são muito... como diria... bolivianos! Ao contrário daquele tradicional quero-ser-europeu-ou-norte-americano tão comum na América do Sul (e, vamos ser justos, em outros lugares mundo afora), esse povo parece estar de bem com suas raízes indígenas. O espírito colonizado que nos oprime, parece ser mais ameno em La Paz. Sim, porque não posso dizer que conheci os bolivianos, e sim os paceños, como se chamam aqueles que nascem e vivem em La Paz. A cidade não dorme. Você passa numa feira de rua à uma da manhã, no meio da semana, e ela está cheia de gente, carros, táxis, vans... sim, eles também usam bastante esse meio de transporte. Há muitas feiras de rua em La Paz, que vendem de tudo: roupa, equipamentos de informática, perfumes, comida, sapatos, artesanato, utensílios de cozinha, eletrônicos, brinquedos... enfim, os paceños parecem ter um um pendor para o comércio. E para a simpatia também. São receptivos e encantadores, mas sem rasgos de extroversão. A impressão – muito superficial e sem fundamento, é verdade – é de que eles são muito “na deles.” E parecem guardar as tradições sem esforço. A figura folclórica da mulher de saia rodada, chapeuzinho coco e um xale colorido nas costas, carregando uma criança ou coisas para vender, não é coisa de livros de turismo. Ou de algum parque temático criado para turista ver. Elas estão por todos os lados nas ruas de La Paz. São as cholitas (há os cholitos também), e elas carregam literalmente de tudo nessas “trouxas” artesanais. Eu cheguei a ver um xale desses andando pela rua em formato de butijão de gás. Para completar, a Cordilheira dos Andes marca presença ao fundo. A cidade é bastante acidentada, e andar por ela significa subir e descer o tempo todo. De repente, a rua sobe um pouco mais, e surgem os montes nevados lá atrás da paisagem urbana. É a cereja em cima do sundae...

domingo, 16 de março de 2008

luiz / léo

meu irmão chamou-se luiz, ao nascer, mas virou léo na adolescencia. para alguns, não para todos. para muitos ele permaneceu o luizinho, filho do luiz. era uma pessoa que gostava de superar limites, gostava de astronomia, gostava de voar (fez vôo livre muitos anos, e ultimamente curtia kite-surfing). hoje vou postar um poema dele, escrito muito tempo atrás, quando ele tinha pouco mais de 20 anos. e assinado pelo "léo".
rio, outubro de 1992
queria poder apagar sua memória
desafiar a natureza e fazer voltar os tempos
certamente mudaria pontos da história
e traria de volta os bons ventos
ventos lisos, sem turbulência
que nos levariam a montanhas de felicidade
que compensariam toda sua paciência
e sua eterna amizade
laços se formam e se rompem
e quando se perdem
não se pode mudar o que se fez ontem
minha alma anseia a hora
em que poderei mandar esses pensamentos embora
estaremos então cheios de felicidade
aguardando apenas a eternidade.
léo mota

sábado, 15 de março de 2008

15 anos

quinze anos são 15 verões indo à praia, tomando agua de côco, mate leão com biscoito globo, assistindo o rolf jogar volei na areia, e saindo da praia cheios de um cansaço gostoso. quinze anos são 15 invernos comendo fondue de queijo e de chocolate, assistindo filme embaixo das cobertas, e viajando pra lugares onde o frio é charmoso, como penedo, mauá, bariloche, campos do jordão... quinze anos são 15 outonos assistindo o por-de-sol, comendo os morangos que começam a aparecer, tomando açaí na tijela. quinze anos são 15 primaveras sentindo o cheiro das flores à noite, curtindo holambra, relembrando o começo do namoro, que foi num setembro tantos anos atrás.
quinze celebrações de natal em família, quinze passagens de ano novo, quinze tentativas de férias, entre as quais algumas deram certo (chapada diamantina, ubatuba, orlando, acuípe, florianópolis, dallas, mendoza, miami, rosario...)
quinze anos rindo, chorando, conversando, vivendo...
te amo, rolf!

segunda-feira, 10 de março de 2008

o lado poeta de cada um

Dizem que todo mundo tem um lado poeta. O meu deve ser meio manco. Poucas vezes me empolguei com minhas tentativas. Mas o fato é que tentei. Comecei com os versinhos para o dia das mães, depois as celebrações de datas cívicas impostas pela ditadura. Mais tarde vieram o lirismo das dores de cotovelo, as declarações de amor e ódio, juras eternas, enfim, toda uma coletânea de textos que nunca foram vislumbrados por outros olhos que não os meus. Uma ou outra exceção. Aqueles raros momentos em que a professora leu o que eu escrevi para o resto da classe, ou o dia em que minha mãe chorou lendo um versinho, ou ainda, um compositor que escreveu música para um texto meu.

Essa semana tem uma dessas tentativas postadas na internet. Está no podcast É o Que Há (http://eoqha.net), um belo trabalho do Matheus Siqueira e sua trupe, a maioria deles alunos do UNASP-EC. O conteúdo é bem variado. Ciência, política, religião, literatura... os garotos são mesmo versáteis.  Vale a pena dar uma olhada. E se vc gosta de estrelas, curta meu relato pseudo-poético de uma noite estrelada. 

terça-feira, 4 de março de 2008

chega de perguntas?

duas postagens seguidas terminando com perguntas, e eu já estou me perguntando quando vou parar de perguntar. o que posso fazer? nasci com esse temperamento questionador. veio de fábrica. quando penso que consegui responder alguma coisa pra mim mesma, lá vêm mais uma questão precisando de resposta. desculpem-me os acomodados, mas eu não consigo deixar de querer saber por quê? como? para quê? não é por mal. não é que eu me sinta bem pressionando alguém por uma razão. é curiosidade mesmo. pura curiosidade...
 

domingo, 2 de março de 2008

Efêmero...

Ferreira Gullar, escrevendo sobre arte, diz que "fazer da arte expressão do efêmero é chover no molhado. Efêmero somos nós mesmos e quase tudo em nossa volta." Isso me faz lembrar de Eclesiastes, e do mau humor do escritor, que já de cara escreve: "Na minha opinião, não há nada que valha a pena neste mundo. Tudo é ilusão." Mas, se a vida é efêmera, se é uma ilusão, como fazer arte que não seja nem uma nem outra?