domingo, 23 de março de 2008

Bolívia II

Sobrevoar a cordilheira é quase como voar baixo. O avião sobe à altitude necessária, mas a terra sobe junto, e as montanhas parecem querer toca-lo. Assim foi o vôo entre La Paz e Lima, Peru, olhando a terra de perto, com sua coloração verde e marrom. Ao longe, os onipresentes picos nevados andinos. Estava me deliciando com esta vista quando, de repente, ela foi interrompida pelo que pareceu uma enorme turmalina. Era o lago Titicaca. Não tenho a pretensão de juntar as palavras certas para descrever o que eu vi e senti. Aquela jóia verde azulada refletindo a luz do sol, o contraste com as outras cores... palavras são insuficientes. O visual tira o fôlego. A certa altura, um rio barrento que vem serpenteando em curvas fechadas pelo vale que está no topo da cordilheira, deságua no lago e, naquele ponto, a água parece uma aquarela em muitos tons. Pensei na genialidade do Artista que criou tudo aquilo, e lembrei que Ele quer morar dentro de mim. Isso é ainda mais incrível do que tudo que eu vi.